Um novo levantamento intitulado “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que 62,6% das vítimas de feminicídio registradas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras (pretas e pardas). O estudo analisou 5.729 casos contabilizados pelas polícias em todo o país no período.
De acordo com os dados, 36,8% das vítimas eram mulheres brancas, enquanto mulheres indígenas e amarelas representaram 0,3% dos registros cada grupo. Os números evidenciam uma sobrerrepresentação de mulheres negras entre as vítimas, revelando que o feminicídio no Brasil está diretamente ligado às desigualdades estruturais.
A pesquisa destaca que a violência letal contra mulheres não pode ser compreendida apenas como uma questão de gênero isolada, mas deve ser analisada também sob a perspectiva racial e social. A interseção entre racismo, desigualdade econômica e violência doméstica amplia a vulnerabilidade de determinadas parcelas da população feminina.
O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, com recorte racial e territorial, além do fortalecimento das redes de proteção e prevenção à violência contra a mulher em todo o país.

